CAMAMÚ – A Maresia dos grandes manguezais e a brisa renitente do Oceano Atlântico dá o clima nostálgico do último dia de Carnaval na Ilha Grande, em Camamú (144 kms de Salvador). Para chegar é preciso navegar por mais de uma hora de barco ou cerca de vinte minutos numa lancha rápida. No trajeto, um labirinto de rios e manguezais que formam um gigantesco estuário no local.
Se é Carnaval, “ não muda muito, apenas o burburinho de gente que vem de todo canto: de Salvador, do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília”, relata Chico Solocó, 59, morador da Ilha.
O palco montado na praça protegida por um imenso e generoso flamboyant, dividiu espaço com a igreja – construída no séc. XIX – a delegacia, o posto médico e Clube Social e foi cercado por muita gente jovem e alegre. O beijo dos namorados e a conversa no jardim confirmavam que era o ultimo dia de Carnaval.
Wilson Campelo dos Santos, mais conhecido como Seu Quininho, é o administrador do lugar onde vivem cerca de 2 mil habitantes. Nesta época a população local ultrapassa 5 mil pessoas. Todos buscando sossego até pular o Carnaval. Na terça-feira, 16, as bandas Embalo Samba, Meu Desejo e Tri Bahia fizeram a festa até a meia noite.
De acordo com André Maron, assessor da prefeita Yoná Queiroz, a festa tem motivos para terminar tão cedo. “Para sair daqui é preciso navegar até o continente e as pessoas precisam descansar para na quarta-feira de cinza voltar ao trabalho, outras vão retornar as suas cidades”, justifica. É verdade. O vai e vem de barcos no cais, sempre saindo com a lotação esgotada revelaram que os foliões embarcavam para a realidade.
O casal Antonio e Zilda Menezes com os dois filhos e um neto deixaram Aracaju para ficar uma semana numa das três pousadas do lugar. “O carnaval aqui é diferente. Vamos voltar restabelecidos, prontos para enfrentar mais um ano de desafios” afirmam.
Já a professora Maria Amélia e o neto Cauã, nem lembraram de data ou hora e se esbaldaram no reboleichon. “Isso aqui é um paraíso”, afirmou com um sorriso acolhedor.
De acordo com a secretária municipal de Turismo, Madalena Halmemschlager, o Carnaval é uma parceria da Prefeitura com a Secretaria de Turismo do Estado e o Governo da Bahia. “Realizar a festa em Ilha Grande é uma opção e os últimos dois anos revelam que a escolha foi acertada. Concentramos a festa num lugar só. No próximo ano será melhor”, concluiu.
Jonildo Glória – Ag. A Tarde
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