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Caretas e mortalhas dão o tom no encerramento do Carnaval em Praia do Forte

16 de fevereiro de 2010 às 11:19 PM

PRAIA DO FORTE – Em meio a paisagens paradisíacas e sofisticados  estabelecimentos, não parece que as ruas da Praia do Forte possam revelar manifestações culturais tão peculiares durante o Carnaval. Mas basta uma visita ao local para perceber que a animação de Salvador se estende ainda 50 quilômetros até o local. No estilo dos antigos carnavais, blocos tradicionais puxados por bandas de sopro e percussão animaram turistas e moradores ao som de marchinhas e fanfarras nessa terça-feira.

Um grupo de turistas chineses, sempre com a máquina fotográfica em punho, parecia se divertir em meio à folia de rua. O empresário Jiang Rong afirmou estar achando tudo “muito interessante”, com a ajuda de um tradutor. “Na China não temos nada parecido com isto”.

Quem decidiu passar o feriado do Carnaval na calmaria da Praia do Forte para descansar, não precisou abrir mão da diversão da folia de Momo. O casal Nira e João Silva fugiu de Salvador com os dois filhos, João Gabriel, de quatro anos, e Nicole, de apenas um ano. “É bom saber que não precisa ir para Recife para curtir um carnaval diferente, mais cultural. Tem tudo isso aqui mesmo perto de Salvador”, avalia João.

A pequena Nicole não se intimidava com o Bloco dos Caretas, tradição de diversas cidades do interior da Bahia presente também na Praia do Forte. Mas a maior parte das crianças se assustava com os homens fantasiados com roupas pretas, galhos e máscaras nada amistosas. O jovem morador local Marcos Vinícius, de 12 anos, diz que não sente medo quando o bloco passa, mas logo aparece a tia para desmentir e revelar que ele sempre chora. Assustadores ou não, a tradição é sempre vista em tom de brincadeira por crianças e adultos. “Este é o melhor bloco da Bahia”, afirma o “careta” Álvaro Moura num grito abafado pela máscara.

Logo depois surge em verde e amarelo o Bloco das Mortalhas, este ano homenageando a seleção brasileira de futebol. “Estamos nos aquecendo para a Copa do Mundo”, explica a auxiliar de enfermagem e moradora local Maria da Paixão, que desfilou pelo segundo ano consecutivo no bloco composto apenas por mulheres.

Na avaliação da pequena moradora Gisele Damasceno, de 8 anos, o melhor do Carnaval da Praia do Forte foi o bloco de travestidos As Kengas, que desfilou na sexta-feira de Carnaval. “O que eu mais gostei foi aquele que tem homem vestido de mulher”, explica ela, apontando para um exemplar do gênero que passava no momento da entrevista.

Beatriz Garcia / Ag. A Tarde

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